domingo, agosto 20, 2017

Huelva: motivos para retorno

Ruas centrais de Huelva : todas exclusiva para pedestres

Situada no Sul da Espanha, integrada na Comunidade Autônoma de Andaluzia, com cerca de 150 mil habitantes, Huelva é uma cidade muito agradável - daquelas que a gente conhece e logo diz: eu moraria aqui! Fundada pelos fenícios, grande porto dos romanos, foi quase totalmente destruída por um grande terremoto, ocorrido em 1755. Hoje é uma bonita cidade com um grande porto comercial.


Precisa-se estar atento para ver os detalhes das portas e das janelas...

Ouvi de moradores que Huelva oferece  um clima agradável durante todo o ano, com temperatura média de 18 graus. Perguntei sobre a facilidade/dificuldade em sair da cidade - eu ainda um pouco traumatizada com a nossa chegada - disseram-me que, em menos de uma hora, chega-se aos aeroportos internacionais de Faro, Sevilha e, em um pouco mais de hora, chega-se ao aeroporto de Madrid. Hummmm...interessante lugar para morar!


Detalhe da Catedral 

A cidade oferece visitas a lugares agradáveis e bonitos, como a Praça das Monjas ( freiras ); a Igreja de São Pedro; o convento de Santa Maria de Gracia, das Ir. Agustinas; a Catedral de Nossa Senhora de la Merced; a Casa Colón e o Palácio do Congresso; o Bairro Rainha Vitória; a Igreja da Milagrosa; a Igreja da Concepção; o Grande Teatro; a Prefeitura, o Museu Provincial; a Praça de Touros e os Molhes da Cia. Rio Tinto.


Igreja de São Pedro

Várias dessas atrações de Huelva ficam próximas umas das outras. Em um dia de caminhada, fomos à Prefeitura, ao Convento Nossa da Graça, à praça das Monjas, à igreja da Concepção, à Igreja de São Pedro e à Zona Arqueológica que estão ambas muito próximas. Fomos, ainda, à Catedral e à Praça de Touros. Cansa-se um pouco...mas sobrevive-se bem.


Detalhe da Praça de Touros

Para quem gosta de comer bem ou de comprar algo diferente ou inusitado, Huelva é a cidade certa. A oferta de restaurantes, bares, cafeterias é grande e diversa. Diz -se que "tapear y comer en Huelva tiene la categoria de arte". Acredito que essa arte vem da qualidade da matéria prima. Ir a um mercado é festa para todos os sentidos. Visite, por exemplo, o Mercado del Carmen - pela manhã.


Eu pedi um simples sorvete....

Para compras, principalmente nestes dias de calor intenso, a cidade pode ser reconhecida mesmo como um Centro Comercial a Ceu Aberto - aberto mas não tanto porque porque têm as ruas uma cobertura que as protege do sol e diminui o calor. São muitos quarteirões de um comércio diversificado e, em geral,  de bom gosto: roupas, bolsas , sapatos, cerâmicas, armarinhos, peças exclusivas em antiquários e galerias de arte, livros, lojas especializadas em roupas para casamento, batizado,primeira comunhão e muito mais. Com juízo e sorte, não comprei nada!



Longa rua coberta - Centro Comercial a Ceu Aberto

Como se isso tudo não bastasse, Huelva tem um dos maiores patrimônios naturais, pois um terço de sua área de superfície está de fato e por lei protegida. Possui grandes parques naturais, como o Parque Natural da Serra de Aracena e o Espaço Natural de Doñana. Tem , ainda, 120 km de praia, sendo 80 km de praias sem urbanização. Infelizmente meu roteiro não incluiu essa parte extramuros do município.


Arquitetura admirável até para leigos...como eu!

Há muito mais o que ver, como um grandioso teatro, desses que só estamos acostumados a ver em cidades grandes; luminárias sobre esculturas belíssimas; rios e rias onde canoas tradicionais do século XIX oferecem passeios a praias mais distantes e museus que recordam a partida de Colombo para o Mundo Novo.


Grande Teatro de Helva

Provavelmente, grande parte das pessoas-leitoras da minha geração leu e emocionou-se com a narração lírica de Juan Ramón Jiménez Mantecón, denominada Platero y  Yo. Pois este admirável poeta espanhol, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1956, nasceu em Huelva, no ano de 1881.  Ele  assim  descrevia sua cidade natal: Huelva lejana y rosa - referindo-se ao singular crepúsculo rosado da região. 


Detalhe de uma luminária da Praça das Monjas

Isolda, minha amiga, e eu ficamos hospedadas no Hotel Eurostars Tartessos, reservado através do Booking.com. Bem localizado, excelente custo-benefício, é um hotel que posso indicar sem receio de errar. Retornamos a Madrid em um Alvia, trem que fez, diretamente, os 620 km entre Huelva e Madrid, em 3h50min. Trago comigo o desejo de retornar - como sempre - a toda a Andaluzia. E a saudade que sinto ...




"Traigo dentro de mi corazón,
como en un cofre que no se puede cerrar de tan lleno,
todos los sitios en que he estado,
Todos los puertos a los que he arribado,
todos los paisajes que he visto a través de las ventanas o portillas,
o de cubiertas , soñando,
y todo esto, que es tanto, es poco para lo que quiero."

Fernando Pessoa


A Beja de Mariana Alcoforado

Convento de Nossa Senhora da Conceição e Museu Regional
 " Como é possível que a lembrança de momentos tão belos se tenha tornado tão cruel? E que, contra a sua natureza, sirva agora só para me torturar o coração? Ai!, a tua última carta reduziu-o a um estado bem singular: bateu de tal forma que parecia querer fugir-me para te ir procurar. Fiquei tão prostrada de comoção que durante mais de três horas todos os meus sentidos me abandonaram: recusava uma vida que tenho de perder por ti, já que para ti a não posso guardar. Enfim, voltei, contra vontade, a ver a luz: agradava-me sentir que morria de amor, e, além do mais, era um alívio não voltar a ser posta em frente do meu coração despedaçado pela dor da tua ausência." Parágrafo de uma das cartas de Mariana de Alcoforado para o Conde Chamilly - 1669


Uma das portas do Convento Nossa Senhora da Conceição onde vivia Mariana

Penso que três os  motivos me levaram a Beja, cidade que não foi dificil chegar, mas de onde foi difícil sair, já que eu ia para Huelva, na Andaluzia, e  os transportes são complicados quando se trata dessa  parte da fronteira Portugal / Espanha. Vamos às minhas motivações: conhecer a cidade onde nasceu, viveu e morreu Mariana de Alcoforado; ver uma pequena cidade, genuinamente portuguesa, e com poucos turistas; passear pelo Baixo Alentejo. Valeu cada momento.



Castelo de Beja - Século XIII

Quando fiz a graduação em Letras, estudei Literatura Portuguesa e tive meu primeiro contato com Mariana de Alcoforado. Ela viveu um caliente romance com um oficial da cavalaria francesa. Era um conde , que viera servir em Beja, na época da guerra de Portugal contra Espanha. Para as pessoas daquele século, as cartas eram por demais apaixonadas e escandalosas. Estudei os textos e decidi que um dia iria a Beja. Fui. Muito cuidado com seus sonhos, porque eles podem se tornar realidade.Este sonho, todavia, foi muito bom.



Portas de acesso nas estreitas ruas do Centro Histórico


Quem tiver curiosidade sobre a história amorosa-escandalosa da época e quiser ler uma parte das cartas escritas pela Monja, poderá acessar este endereço: https://chrismielost.blogspot.com.es/2011/02/una-historia-de-amor-traves-de-sus.html



Do outro lado do Castelo de Beja, detalhes da Igreja de São Francisco

Considerada a prima pobre de Évora - cidade que aparecerá em  postagem, logo a seguir, aqui no correndomundo - Beja para mim é mais encantadora do que a prima rica, embora eu não aceite essas comparações e  considere cada uma delas única por suas particularidades. Cidade antiga, no local em que  está Beja, há vestígios de povoamento  desde a Idade do Ferro. No Museu Arqueológico, há indicações sobre o tema. No Museu também está uma coleção de azulejos, que restou dos 400 anos de domínio dos mouros, terminado em 1162.



Museu Regional de Beja



A visita ao Castelo é aconselhável mesmo. Quem o mandou construir foi Dom Dinis , ainda no século XIII, sobre fundações romanas. Contaram-me ( pois é óbvio que eu não fui lá! ) que as vistas da cidade e dos arredores, são magníficas, do alto da  Torre de Menagem que tem 42 metros. Nos sábados, acontece, ao redor do Castelo, uma grande Feira Livre.




Torre do Castelo


Embora somente tenha ao redor de 25 mil habitantes, Beja é a principal cidade do Baixo Alentejo. Limpa, bem cuidada, muito florida, tranquila, com poucos turistas, que possibilita ver todo o centro em caminhadas médias, algumas delas seguindo vias romanas. Tem bons restaurantes, que oferecem comidas portuguesas, e lindas hospedagens em pensões e em residenciais. 





Fiquei hospedada na janela  entreaberta da esquerda. Uma lindeza!

Esses muitos restaurantes e bares existentes em Beja, como Casa de Chá Maltesinhas, Restaurante Alentejano e Sabores do Campo, oferecem comida regional e doces conventuais deliciosos. Outro lugar para ir e no cinema e teatro denominado Pax Julia Teatro Municipal, que realiza shows, espetáculo de dança e exibição de filmes. 



Almocei aqui. Vi gente local.
Outras atrações podem ser indicadas para quem visita esta pequena e acolhedora cidade, tais como: Conhecer as muralhas que contornam o centro, caminhar pela Praça da República, disponibilizar um tempo para visitar o convento Nossa Senhora da Conceição e ver a cela no. 4 onde viveu Mariana de Alcoforado, ver algumas igrejas e museus.



Cine-Teatro

Fomos de trem para Beja. Como era uma sexta-feira - dia que, segundo me contaram, os bajenses vão para outras cidades - éramos , Isolda e eu, as duas únicas pessoas no trem. Parecia que estavam nos dando uma carona. Vínhamos de Évora. Foi muito fácil chegar. No post seguinte, contarei como foi difícil - mas divertido - sair de Beja para Huelva. Encantadora viagem. Projeto realizado.


                                         Cidade ótima para "garimpar" peças antigas.


 "Venho dos lados de Beja. 
Vou para o meio de Lisboa. 
Não trago nada e não acharei nada. 
Tenho o cansaço antecipado do que não acharei, 
E a saudade que sinto não é nem no passado nem no futuro. 
Deixo escrita neste livro a imagem do meu desígnio morto: 
"Fui como ervas, e não me arrancaram." "

Fernando Pessoa


Castelo e , ao fundo, Igreja de São Francisco.

sexta-feira, agosto 18, 2017

De Beja a Huelva: o perto que ficou longe.

Centro  Histórico de Huelva : Praça das Monjas

Como escrevi no post anterior, foi muito fácil chegar de Évora a Beja. De Beja a Huelva, no entanto, foi bem complicado. Não há trens. Disseram-me que, há quase trinta anos, Espanha e Portugal buscam acordos para construir essa linha. Para ampliar nossas dificuldades, saímos de Beja num domingo, quando o número de ônibus é reduzido para um terço. Buscamos todas as informações na Estação Rodoviária, mas as dificuldades maiores foram aparecendo ao longo do trajeto.


Detalhe da Grandiosa Catedral de Huelva

O ônibus era um pinga-pinga-indireto. De Beja, fomos a Albufeira. Troca de ônibus. A seguir, paradas nas rodoviárias de Castro, Olhão, Faro, Tavira e , finalmente, chegamos a Vila Real de Santo Antônio. De Vila Real, vai-se à primeira cidade espanhola,  Ayamonte,  de barco. Travessia bonita, feita em aproximadamente meia hora. A saga continuava...


Rio Guadiana, fronteira entre Portugal e Espanha


Chegando a Ayamonte, a menos de 70 km de Huelva, fomos confirmar as informações que tínhamos sobre ônibus ou transporte compartilhado. Nada. Nenhum. Era domingo!!! Passamos a procurar táxis. Só havia dois mas, como era domingo, eles haviam desaparecido - e seus telefones não atendiam.



Rio Guadiana entre Vila Real de Santo Antônio e Ayamonte


Passeamos pela cidade, que é pequena mas bonitinha. Buscamos informações de hoteis, pois começava a ficar tarde. Fomos tomar um café em frente ao único ponto de táxi da cidade: eis que apareceu um. Podia, sim, nos levar em Huelva - mas não deixou barato: 75 euros a corrida numa distância de 60 km.



Fronteira Portugal-Espanha

Concordamos! Não havia outra proposta mais conveniente. Além disso, o Hotel de Huelva estava pago e,  se pernoitássemos em Ayamonte, teríamos que pagar outro hotel. Enfim, o táxi  foi e deixou-nos na porta do hotel,  em Huelva ...  após de um dia inteiro de viagem para fazer menos de 300 km no total.


Chegada em Ayamonte - finalmente na Espanha.

Ainda bem que Isolda e eu não perdemos o bom humor com o cansaço do dia. Imprevistos e perrengues podem acontecer em qualquer viagem. Huelva foi simpatia à primeira vista. Durante o jantar,  rimos muito de tudo o que acontecera. É bom registrar que o calor diminuíra bastante: devia estar  menos de 40 graus!!!!


Em Huelva - Finalmente.
 " Aún no es de noche y siento
que el cielo ya está frío.
El azote del viento
Envolve al tedio mío."

Fernando Pessoa


Travessia do rio Guadiana

sábado, agosto 12, 2017

Palermo: Igrejas, Palácios, Mercados e muito mais...

Suntuosidade e beleza na Capela do Palácio Real

"....La pureza del entorno, la suavidad del conjunto, la gradación de los tonos, la armonia del cielo, del mar,  de la tierra / ...moreras de un verde apenas nacido, adelfas siempre verdes, espalderas de naranjales y limoneros/ ...El aire es dulcemente perfumado, el viento tibio.../ Quien ha visto todo esto no lo olvidia..."


 
                    No Centro Histórico, Quatro Cantos é referência de localização.
           

As expressões acima são de Goethe, grande poeta alemão, na sua chegada em Palermo, em 1787. Escreveu-as em sua Viagem à Italia. Palermo, realmente, é a grande metrópole mediterrânea que encanta e seduz. Diz-se que é um caldeirão cultural pela eclética mistura de influências orientais e europeias. Seguramente consta da lista de desejos de turistas do mundo todo.



Cristo : Bienal Internacional de Arte Contemporânea Sacra

Capital da Sicília. com aproximadamente um  milhão de  habitantes,  Palermo é a  maior cidade  
dessa Ilha e a quinta mais populosa da Itália. Em 3 de junho de 2015,o Comitê de Patrimônio da UNESCO, reunido na cidade de Bonn, na Alemanha, incluiu-a na Lista do Patrimônio Mundial.



Palácio Real ( Palazzo dei Normanni )

Na justificativa da UNESCO,  lê-se:  "  .....todos os edifícios que compõem o itinerário arábe-normando representam um valor universal excepcional, como um exemplo da convivência e da interação entre os diferentes componentes culturais, que são  de origem histórica e geográfica heterogênea( sincretismo cultural)...



Palácio Real ( Palazzo dei Normanni )

...Este fenômeno há gerado um estilo de arquitetura original, em que estão reunidos, admiravelmente, elementos bizantinos, islâmicos e românicos, capazes de produzir, muitas vezes, combinações únicas, de extraordinário valor artístico e extraordinariamente uniformes."



Detalhe da Catedral

Com toda essa riqueza artística e histórica, Palermo merece ao menos cinco dias para ver suas principais atrações. Destaco, a seguir, algumas delas, como muitas outras que também podem ser incluídas: a Catedral; o Palácio Real e a Capela Palatina; a igreja de São Domenico; o Museu Arqueológico Regional; a área dos Quatro Cantos; o Mercado Medieval ( Vucciria ); as ruazinhas da cidade toda, os oratórios, as muitas outras igrejas e os muitos e magníficos palácios.


Deixe-se surpreender pelas ruazinhas que descobre...


Para quem planeja visitar outras cidades da Sicília, é interessante buscar acomodação nos hoteis e hostais próximos à Estação de Trens, que está localizada no centro de Palermo e de onde se pode percorrer a pé todo o centro histórico. O Palácio Real pode ser o começo de um estupendo itinerário árabe-normando, pela sua representação de riqueza, de poder político e de cultura. Abriga hoje o governo regional siciliano.



Cristo Pantocrator da Capela Palatina


Contam que Guy de Maupassant, escritor francês admirado inclusive por outros escritores, ao ver a Capela Palatina, declarou que era a mais bela que existia no mundo, a mais estupenda joia religiosa imaginada pelo pensamento humano e executada pela mão do artista. De fato, o projeto  da Capela reuniu especialistas bizantinos, islâmicos e latinos, que criaram uma unidade arquitetônica, reforçada pela decoração em mosaicos.



Catedral - detalhes

 A grandiosa Catedral de Palermo, guarda, em seu interior, os túmulos dos imperadores da Sicilia, a começar por Frederico II e sua mulher Constança de Aragão. Fundada em 1184, mostra , no seu exterior, o desenvolvimento do gótico nos séculos XIII e XIV. Há influências , facilmente identificáveis, de vários estilos arquitetônicos. É grandiosa e requer tempo para vê-la....e paciência com o excesso de turistas no verão.



Catedral

Penso que é relevante incluir nos itinerários uma visita à Igreja de São Domenico de Palermo. Entrei nessa igreja no dia em que relembravam os 25 anos da morte do  Juiz Giovanni Falcone, assassinado, juntamente com sua esposa e três auxiliares, no dia 23 de maio 1992, por decisão da máfia. Pela atualidade e complexidade do tema - para muitos países - sugiro a leitura de:
http://www.elmundo.es/internacional/2017/05/23/59229b3ae2704e50198b4581.html



Igreja de São Domenico de Palermo


Considero obrigatório um passeio, com direito a compras. a Mercados Públicos ou às tradicionais feiras de rua. Em Palermo, Vucciria é um mercado imperdível, o maior da cidade, que lembra todo o passado árabe da Sicilia. Oferece variedade de frutas, verduras, carnes e peixes. Oferece, ainda, utensilhos para casa, roupas, antiguidades e milhares de quinquilharias. Sim! encontrei favas lá. Agora, quando alguém me mandar às favas, virei para Europa - mais elegante do que mandar a pqp...


Vucciria

" Bendito seja o mesmo sol de outras terras
Que faz meus irmãos todos os homens
Porque todos os homens, um momento no dia, o olham como eu.
E nesse bom momento
Todo limpo e sensível
Regressam imperfeitamente
E com um suspiro que mal sentem
Ao Homem verdadeiro e primitivo
Que via o sol nascer e ainda não o adorava.
Porque isso é natural - mais natural
Que adorar o sol e depois Deus
E depois tudo o mais que não há."

Fernando Pessoa


RIP

sábado, agosto 05, 2017

Beja: Passeio de Hoje ( 05-08-2017 )

Uma das entradas do Castelo de Beja

"Castelo de Beja
No plaino sem fim;
Já morto que eu seja,
Lembra-te de mim.


Torre do Castelo


Castelo de Beja,
De nuvens toucado;
A luz que te beija
É o sol do passado.


Simplicidade e grandeza


Castelo de Beja
Espiando o inimigo;
Te veja ou não veja,
Estou sempre contigo.


Lateral do Castelo

Castelo de Beja
Feito de epopeias;
Um sonho flaneja,
Nas tuas ameias.


Contraste com  folhas jovens de árvores antigas

Castelo de Beja
Subindo, lá vais...
Tu fazes invela
Às águias reais.


Porta interna


Castelo de Beja
Lembra-te de mim:
Saudade que adeja
No plano sem fim."


Escadaria na parte interna do Castelo de Beja

O texto acima pertence ao poeta Mario Beirão (  1890 - 1965 ), nascido em Beja. Está gravado junto ao busto desse conhecido escritor  português. Apesar do calor - mais de 40 graus - a visita de hoje ao Castelo foi um tempo ganho na cidade de Mariana Alcoforado  (1640-1723) .


Poeta Mário Beirão