sábado, agosto 27, 2016

Anotações sobre a imponente e bela Viena


Catedral de Santo Estêvão 

A primeira e a segunda vez que eu estive na Áustria, foi para visitar Frederico,  meu sobrinho, que estava fazendo o segundo grau em Viena. Atualmente, ele é professor na UFSM, onde entrou  com doutorado concluído - já se vão, portanto, muitos anos de convívio com esta capital magnífica e rica ...também em história. A ela retornei muitas vezes, apesar de os austríacos não serem nada simpáticos.


Complexo do Palácio de Hofburg

Neste ano, Pedro e eu estivemos aqui no mês de janeiro. Nevava muito - mas eu só gosto de neve em montanhas distantes ou em fotografias. Apesar da neve, entretanto, foi um belo passeio.  Desta vez, faz muito calor, os austríacos fazem jus a impressão que deles eu tenho...e a cidade continua rica belíssima e cara


Monumento ao Imperador Francisco I

Tenho alguns pontos de referência na cidade, por onde gosto de andar. Costumo percorrer toda a Mariahilfer Strasser, a mais importante avenida comercial de Viena, cujo comprimento supera três quilômetros e meio. Nela, encontramos muitos conhecidos nossos, inclusive a Pandora - originada na Dinamarca e hoje sucesso no mundo inteiro, com direito a falsificações ( imaginem de quem...).


Pedro na Mariahilfer Strasse

Mariahilfer está situada entre o Museumsquartier e a Westbahnhof - estação de trens reformada e ampliada há poucos anos. Eu costumava me hospedar nas imediações dessa estação, tendo, entretanto, sido alertada ( ou assustada) sobre inseguranças no local, hospedei-me, desta vez,  no funcional e  honesto padrão-três-estrelas-esperado, Ibis Mariahilfer ( Mariahilfer Gürtel 22-24, 06. Mariahilf, 1060 Viena, Áustria ) . 


Museumsquartier - um dos acessos internos

Inaugurado em 2001, o Museumsquartier tornou-se iniciativa de grande sucesso. É a oitava maior área cultural do mundo - 60000 m2. Visita imperdível para ver ali, além da beleza e graça de seu entorno, os museus Leopold, famoso pela sua coleção de Shiele e Klimt e MUMOK, museu de arte moderna, com obras de Pablo Picasso e Andy Warhol. Vale referir ao Zoom Kindermuseum, onde Pedro, literalmente, mergulhou no gramado.

Kindermuseum,

No Stadtpark, está um dos monumentos mais bonitos e mais fotografados de Viena. Refiro-me à estátua de bronze e ouro de Wolfgang Amadeus Mozart. Mozart nasceu em Salzburgo, em 1756, mas viveu dez anos de sua complicada vida em Viena, onde morreu em 1791 e está sepultado num cemitério vienense. A estátua foi criada em sua honra por Viktor Tilgner em 1896. Junto a ela, permanentemente há muitas flores.


Foto by Adriana Fuganti Wagner


O símbolo de Viena e sua mais importante obra em estilo gótico, acredito ser a Catedral de Santo Estêvão - Stephansdom. Foi construída no lugar onde havia uma basílica românica, em meio a um cemitério ( 1147). Através dos séculos, sofreu acréscimos e danos, como um incêndio provocado por vândalos em 1945.



Stephansdom no inverno - janeiro de 2016

Sofreu um incêndio em 1258 e foi reconstruída novamente em estilo românico. Dessa antiga construção restam o Grande Portal e duas torres pagãs. Seu principal símbolo, a Torre de Santo Estêvão, obra magnífica da arquitetura gótica, mede 137 metros de altura. O sino, que se encontra , desde 1957, na Torre das Águias, é um dos maiores da Europa - toca uma vez por ano, para anunciar à cidade de Viena a entrada do Ano Novo.


Stephansdom no verão - agosto de 2016

Penso que se conhece bem uma cidade quando podemos vê-la ao menos no verão e no inverno - seria ótimo , nas quatro estações do ano! E vê-la também tanto de dia, quanto de noite. Embora eu goste muito do inverno europeu, considero um grande inconveniente as poucas horas de claridade: voltar, à noite, para o Hotel e ver que são 17h...sempre me parece desperdício de tempo. Verão seria excelente, não fosse o excesso de gente em todos os lugares, inclusive nos trens.



Inverno de 2016


Escolho maio e setembro como os meses melhores para vir à Europa.  Maio de preferência onde predominam os jardins; outubro, onde se podem ver as árvores coloridas  -  do amarelo-claro ao vermelho-escuro. O forte do outono são os bosques. Inesquecíveis. Em Viena ...ou em qualquer outra cidade europeia.


Verão de 2016

Áustria é um país católico - sua capital, idem. A maioria da população - ao redor de 70% - é adepto do catolicisno. Os dados estatísticos até poderiam ser dispensados pela visão frequente de grandes e belas igrejas, monumentos e imagens. Além da Catedral de Santo Estêvão, vale visitar a Igreja de São Pedro ( 1733), com muitos tesouros barrocos; a Igreja de São Miguel, edificação românica de 1220; a Igreja Maria am Gestade ( 1428 ) que tem uma bela cúpula gótica; a Igreja de São Carlos, barroca, em estilo italiano; e , entre tantas outras, a Igreja dos Jesuítas, a dos Dominicanos, a dos Franciscanos...



Outra Igreja que eu esqueci o nome....São tantas!


Outra manifestação da religiosidade austríaca. No lugar da foto abaixo, havia uma antiga Praça de Mercado e um castelo romano. No século XII, o fosso do castelo foi totalmente aterrado. Em 1679, entretanto, o imperador Leopoldo I, cumprindo uma promessa feita durante a epidemia da peste, mandou erigir, em cima do fosso, a Coluna da Santíssima Trindade - que se tornou conhecida como a Coluna da Peste.


Coluna da Peste

Após meu retorno, pretendo acrescentar mais informações sobre Viena, especialmente sobre o Complexo do Palácio de Hofburg, o Palácio de Schonbrunn, o Parque de Diversões Wiener Prater, a Biblioteca Nacional, a Ópera de Viena, o Parlamento, a Universidade e muito mais. Neste momento, é impossível.Viajando desde maio, preciso me organizar para retornar. Importante lembrar que os táxis vienenses não são caros e que o transporte público e suficiente e de ótima qualidade. Há facilidade de obter mapas da cidade e do metrô nos hoteis e nos centros de informação.


Detalhe dos Jardins do Belvedere

Já escrevi mais postagens sobre Viena e sobre outras cidades da Áustria. Deixo-lhes o link de algumas: http://correndomundo.blogspot.com.es/2016/01/viena-1a-parte.html
http://correndomundo.blogspot.com.es/2016/01/viena-tradicao-e-modernidade-2aparte.html





O original de O Beijo está no Belvedere, onde fotos são proibidas. O museu, no entanto, teve a sensibilidade de colocar, numa saleta ao lado, essa réplica como espaço destinado a selfies. Uma menina japonesa, muito gentil,  fez esta foto minha  Quem ainda não viu A Dama Dourada, aconselho a ver. O quadro de Klimt, referido nesse filme, estava aqui, neste Museu. Atualmente, está num Museu de Nova Iorque.


Jardins de Hofburg

"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada."

Fernando Pessoa


Ciao,Ciao, bela Viena.


quinta-feira, agosto 25, 2016

" Não tenho pressa..."

Detalhe do Palácio Belvedere - Viena, 1721

"Não tenho pressa: não a têm o sol e a lua.
Ninguém anda mais depressa do que as pernas que tem.
Se onde quero estar é longe, não estou lá num momento.
Sim: existo dentro do meu corpo.
Não trago o sol nem a lua na algibeira.
Não quero conquistar mundos porque dormi mal,
Nem almoçar o mundo por causa do estômago.
Indiferente?



Idem

Não: filho da terra, que se der um salto, está em falso,
Um momento no ar que não é para nós,
E só contente quando os pés lhe batem outra vez na terra,
Traz! na realidade que não falta!
Não tenho pressa. Pressa de quê?




Idem

Não têm pressa o sol e a lua: estão certos.
Ter pressa é crer que a gente passe adiante das pernas,
Ou que, dando um pulo, salte por cima da sombra.
Não; não tenho pressa.




Idem

Se estendo o braço, chego exactamente aonde o meu braço chega -
Nem um centímetro mais longe.
Toco só aonde toco, não aonde penso.
Só me posso sentar aonde estou.




Idem

E isto faz rir como todas as verdades absolutamente verdadeiras,
Mas o que faz rir a valer é que nós pensamos sempre noutra coisa,
E somos vadios do nosso corpo.
E estamos sempre fora dele porque estamos aqui."

Fernando Pessoa


Detalhe do Palácio Belvedere - Viena, 1721



Com  texto de Fernando Pessoa e com imagens dos jardins de Belvedere, registro meu agradecimento a Adriana Fuganti Wagner por ter sido a maravilhosa companheira - minha e de Pedro - que ela foi durante este mês de agosto. Muito eu teria a escrever e a agradecer, mas seguirei a orientação do Pedro, que me sugeriu " só escreve que ele foi ótima...isso basta". Adri, sentiremos saudades de ti. Beijo




Adriana e Pedro, em Wroclaw , na Polônia.

quarta-feira, agosto 24, 2016

Szentendre/Santo André - na margem do Danúbio

Viagem de barco pelo Danúbio desde Santo André até Budapest

Para visitar Szentendre ( Santo André ), pitoresca cidade a 20 km da capital da Hungria, parece-me mais confortável valer-se de um tour a partir de Budapest - um desses bate-e-volta de 4 ou 5 horas de duração. Talvez o melhor mesmo seja conjugar esse tour com outro, que vá a Esztergom ou ao Parque Arqueológico de Aquincum. As ofertas são muitas e bem diversificadas.


Comércio no Centro Histórico

Szentendre ( Santo André ) está localizado numa das margens do rio Danúbio. Pedro, Adriana e eu fomos de barco até lá. É uma pequena cidade, pouco maior que uma dessas vilas que conhecemos no Brasil. O que a torna tão especial é a visível amostra do passado e do presente, do histórico e do novo, das ruas estreitas empedradas e dos turistas carregando compras. Harmonia histórica!


Artesanato Local

No pequeno Centro Histórico, dominam os locais de comércio, em pequenas e coloridas casas, coladas umas às outras. Poucas são a compras especiais - a maioria constitui um mix do que é vendido em todas as cidades do País - mas são interessantes de ver.


Peatonais do Centro Histórico


O nome da cidade vem do Santo André, padroeiro da primeira igreja construída neste local, no tempo de sua povoação inicial, ou seja, no século XI.  Seus primeiros séculos foram tranquilos. Durante o domínio turco na Hungria - séculos XVI e XVII - a cidade, no entanto, sofreu e foi abandonada por seus antigos moradores. 



Antiga Igreja

Após a expulsão dos turcos pelas tropas europeias, já em 1690, sérvios, dálmatas, bósnios e gregos, num total de 150 mil pessoas, vieram para a Hungria e povoaram as aldeias abandonadas. Famílias dálmatas, sérvias e gregas se estabeleceram em Santo André, revitalizando-a outra vez.






É provável que sua grande atração tenha sido a proximidade do rio Danúbio e o potencial de comércio que ele representava. O século XVIII foi marcado pelo desenvolvimento da localidade. Santo André passou a ser reconhecida como rica e próspera vila de comerciantes endinheirados e de artesãos talentosos.  O Centro Histórico atualmente continua como era no final do século XVIII.



Paseio pelo Danúbio

Chego a pensar que Szentendre - Santo André - é milagre do Danúbio, rio que abraça a cidade, com uma de suas belas e inspiradoras curvas. Artistas e artesãos continuam a vir e a viver nesta paisagem tão linda, com muito verde e com a presença quase mágica do rio. 



Chegada na Ponte Branca em Budapest

"O meu olhar azul como o céu
É calmo como a água ao sol.
É assim, azul e calmo,
Porque não interroga nem se espanta...

Se eu interrogasse e me espantasse
Não nasciam flores novas nos prados
Nem mudaria qualquer coisa no sol de modo a ele ficar mais belo..."

Fernando Pessoa


Homenagem à magia do  Danúbio

domingo, agosto 21, 2016

Novamente, Budapest.

Pedro e uma das muitas fontes de Budapest

Já escrevi algumas postagens sobre Budapest. Destaco a que relato a viagem que Pedro e eu fizemos, em janeiro deste mesmo ano: http://correndomundo.blogspot.hu/search/label/Budapest  É necessário dizer o quanto gosto do Leste Europeu?


Sinagoga da Rua Dohány

Em postagens anteriores, fiz algumas omissões, como esta que reparo a seguir. Não me referi, por exemplo, a maior Sinagoga da Europa, templo grandioso dos judeus úngaros.Sua construção levou cinco anos - 1854 a 1859. Tem elementos do estilo mourisco-bizantino e está toda decorada com enfeites de cerâmica.


Cúpulas em forma de cebola...


São belissimas suas cúpulas douradas com 44 metros de altura. A capacidade de acolhimento de seu interior é de 3 mil pessoas sentadas. Em 1944, a Sinagoga demarcou uma das fronteiras do gueto, onde viveram 70 mil pessoas num espaço de 0,3 km2. Muitos dos que morreram de fome, doença ou assassinados peos nazis foram enterrados no jardim, em vala comum. No jardim da Sinagoga, hoje, pode ser visto um salgueiro-chorão de metal, que é o Monumento dos Mártires Judeus Húngaros.


Ponte das Correntes - Rio Danúbio. Foto by Adriana Fuganti Wagner


Buda e Pest foram por muito tempo duas cidades-irmãs porque lhes faltava de uma ligação permanente entre as duas cidades - faltava-lhes uma ponte. Foi o Conde István Széchenyl, conhecido como o Maior Húngaro, que decidiu construí-la, começando-a em 1842 e concluindo-a em 1849. Como o Danúbio congelava no inverno, optaram por fazer uma ponte pêncil, com enormes correntes de ferro, suspensas em dois pilares. Foi um projeto altamente inovador na época. Destruída pelos alemães na Segunda Guerra Mundial, foi reconstruída em 1949, e está aí ...fotogênica e bela!



Ponte da Liberdade cm águias nas ontas dos pilares

A Ponte da Liberdade é a menos extensa de Budapest. Sua construção começou em 1894, e o último rebite foi cravado, em 1896, pelo soberano do Império Austro-Húngaro, Francisco José I - ele mesmo ainaugurou, e a Ponte teve inicialmente seu nome. Após a Segunda Guerra Mundial, entretanto, teve seu nome trocado para Ponte da Liberdade.



Adriana fotografando a Ponte da Liberdade


Além da Ponte das Correntes e da Ponte da Liberdade,  já escrevi no Correndomundo e já postei fotos de outras tantas e tão bonitas pontes húngaras -  considero minha especialidade as pontes sobre o Danúbio, na  Slovakia, Áustria e Hungria , e sobre o Mississipi, nos Estados Unidos.



Mercado Central

Budapest não é - ainda - uma cidade cara, como não o é todo o Leste. Aprendi, em anos como andarilha, a fazer pouquíssimas compras. Aprendi também onde comprar e o que comprar. Assim, na Húngria, compro especiarias ( condimentos ótimos e embalagens lindas! ) e , há mais de 20 anos, compro um creme facial - Helia D - fabricado unicamente aqui, com azeite de girassol. Fantástico!



Detalhe do Mercado Central


O Mercado Central é visita aconselhada sempre. Construído em 1897, esse edifício é interessante ser percorrido internamente durante o dia e fotografado à noite. Com uma área de 10 mil metros quadrados, todo de tijolos com entradas em pedras, tem vigas de ferro, recobertas com cerâmica colorida. Vende especiarias, frutas, legumes, carnes, queijos, bordados e elementos de  decoração, e muito mais. No piso superior, há um excelente restaurante, onde se pode apreciar a deliciosa comida húngara.


Pedro a caminho da fonte da 1a. foto


Pedro, Adriana e eu realmente traçamos Budapest. A cidade não tem um centro histórico compacto. Ela é extensa e requer um mapa em mãos o tempo todo. Requer também um olhar atento. A qualquer momento, surgem esculturas fantásticas, belíssimos prédios históricos, igrejas católicas ou ortodoxas, fontes antigas, sinagogas, galerias de arte, grupos musicais de alta qualidade, árvores frondosas e jardins floridos - uma festa constante de cores, formas e sons.



Muitas portas imponentes em edifícios anônimos...


Imprescindível um lanche, ainda que rápido, na elegante Casa Gerbaud, com mais de um século de existência, estabelecida num edifício branco, localizado na Praça Vorosmarty. É uma cafeteria superfamosa , que serve deliciosas tortas e bolos, feitos com as receitas originais do suiço que foi seu fundador. Vale observar a fineza dos funcionários e a beleza do mobiliário. Elegância antiga!



Na Gerbaud, café para mim; sorvete para Pedro.


A partir da Praça Vorosmarty, logo depois da Gerbaud, começa a rua Váci, seguramente a mais conhecida de quem conhece Budaest, já que ela é a mais conhecida rua de comércio. Diz-se que fazer comprinhas aqui era algo considerado muito chique antigamente - compras não costumo fazer, mas não dispenso um café e uma caminhada por toda a Vaci e pelas ruas transversais para observar arquitetura, fontes e outras obras de arte.



Rua Váci


Na Váci, está a Igreja das Carmelitas, mas há muitas outras igrejas nas proximidades dessa rua. Gostei bastante de ter visto a Catedral da Dormição da Mãe de Deus, uma bela Igreja Húngara Ortodoxa, vinculada à Diocese do Patriarcado de Moscou - bonita e colorida como todas as igrejas ortodoxas que conheço. Para lembrá-la, comprei dois ícones - pequenos e bem lindinhos.



Igreja Ortodoxa Húngara


No centro de Budapest, entrei, por acaso, na Igreja-Paróquia Maior de Nossa Senhora, muito bonita e com uma história interessante. Em 2010, iniciaram os preparativos para a pintura dessa Igreja. Era necessário, para tanto,  uma investigação prévia procedida  pelas autoridades de proteção aos monumentos públicos. Dessa investigação, resultou um achado valioso: afrescos do século XIV, os mais antigos de Budapest. Talvez esses afrescos tenha sido protegidos para que inimigos não os destruíssem. Hoje estão nos seus lugares originais, protegidos por um nicho quadrado.


Igreja-Paróquia Maior de Nossa Senhora

Gostaria de escrever muito mais sobre Budapest, mas é impossível. Caminhei, hoje, quase continuamente, durante 6 horas. Acrescente-se que se trata de uma avó  caminhando com um neto de 16 anos. Cheguei ao Hotel cansadíssima - na verdade chegou o que restava de mim! Decidi, então, escrever este post para descansar. Agora, preciso dormir. Amanhã será outro dia...de andarilhar pela grandiosa capital húngara.


Flores complementam a beleza de Budapest

" Uns com os olhos postos no passado,
Veem o que não veem: outros, fitos
Os mesmos olhos no futuro, veem
O que não pode ver-se.

Por que tão longe ir pôr o que está perto - 
A segurança nossa? Este é o dia,
Esta é a hora, este é o momento, isto
É quem somos, e é tudo.

Perene flui a interminável hora,
Que nos confessa nulos. No mesmo hausto
Em que vivemos,morremos. 
Colhe o dia porque és ele."

Fernando Pessoa


Budapest

sexta-feira, agosto 19, 2016

A Religiosidade de Cracóvia

Basílica de São Floriano

" Deixem, antes de eu partir, que olhe ainda deste lugar para Cracóvia, essa Cracóvia em que cada pedra e cada tijolo me são tão caros, e que olhe de cá para a Polônia....E , portanto, antes da partida, rogo-vos que aceitem de novo este patrimônio espiritual que se chama Polônia, com fé, esperança e amor (...) "   João Paulo II, Cracóvia, 10 de junho de 1979.


Igreja e Mosteiro da Ordem dos Dominicanos

Incrementando meu Curriculum Espiritual - aquele que não tenho a menor urgência em  apresentar, mas é certo que apresentarei um dia - voltei a religiosa Cracóvia. Visitei  igrejas, túmulos de santos e beatos, mosteiros e conventos. Visitei também sinagogas e cemitérios e percorri Kazimierz, a dramática e comovente cidade antiga, onde estava  o bairro dos judeus.


Antigo Bairro Judeu de Kazimierz

Curto templos religiosos - os melhores museus interdisciplinares que se pode ver e admirar. Têm beleza, história, arte, música - já asssti a concertos fantásticos em igrejas - e pessoas locais em rituais, cerimônias e atos de fé .  Já assisti também a casamentos, missas, funerais e batizados. Acompanho, com respeito e algumas vezes com emoção, o que nos templos sucede ...por essa razão faço pouquíssimas fotos. A religiosidade alheia me comove.


Igreja e Mosteiro da Ordem dos Franciscanos

São imponentes e belas as Igrejas e Mosteiros de duas Ordens bastante conhecidas no mundo: a dos Dominicanos e a dos Franciscanos. São duas igrejas góticas com histórias diferentes. A primeira sofreu um grande incêncio no século XIX ( 1850 ) Seus móveis, no entanto,  foram salvos e se encontram na igreja atual, recuperada e com estilo neo-gótico.


Detalhe da Igreja anterior

A segunda, também gótica, Igreja e Monastério da Ordem  dos Franciscanos, foi fundada no século XIII, pelo príncipe Boleslaw Wstydliwy ( não me peçam para falar esse nome corretamente!!!) O príncipe, sua mãe de nome Grzymislawa e sua irmã Salomea estão enterrados nessa igreja. Em todo o recinto, encontram-se vitrais belíssimos.


Basílica de Santa Maria

Igreja gótica, fundada no século XIII, está localizada Praça Central, em frente ao Mercado que foi construído no mesmo século. Denominada Basílica de Santa Maria, tem como monumento mais valioso o altar, com 13 metros de altura e 11 metros de largura, sendo o maior altar medieval, de madeira, na Europa. É, seguramente, uma das mais belas igrejas góticas da Polônia.


Basílica de Santa Maria - Foto by Adriana Fuganti Wagner

O altar é composto de 200 figuras, algumas muito pequenas, outras que chegam até três metros de altura. O artista que as criou, trabalhou nelas durante 12 anos. A maior torre dessa Basílica mede  81 hora metros e é de onde, a cada hora cheia, ouve-se um toque de clarim, repentinamente nterrompido. Conta-se que, assim, com essa interrupção, relembra-se e homenageia-se um soldado que , enquanto tocava, para avisar seus  companheiros de um iminente ataque, foi assassinado.


Igreja de St. Wojciech - Santo Adalberto

Na foto seguinte, a Igreja de St. Wojciech - Santo Adalberto -  um dos monumentos mais antigos da Cracóvia. Segundo a lenda, ela foi construída no local onde esse Santo costumava fazer seus sermões. Em estilo românico, sua história remonta ao século X. Foi reconstruída no século XVIII, quando passou a ter o aspecto atual. Está localizada na Praça do Mercado.


Porta principal da Igreja de Santo Adalberto




Fizemos um comovente passeio por Kazimierz, antiga cidade, fundada no século XVI por Casemiro o Grande. Atualmente, é um histórico - e visitadíssimo - bairro de Cracóvia. Desde o século XV até a II Guerra Mundial, na sua parte norte, era o Bairro Judeu, com intensa vida cultural e social. Foi completamente destruído pelos alemães, mas hoje está recuperado e mostra um conjunto valioso de monumentos judaicos.


Basílica de Corpus Christi

A Basílica de Corpus Christi é uma das maiores igrejas de Cracóvia. Combina diferentes estilos arquitetônicos: gótico, renascentista e barroco. Foi fundada pelo rei Casimiro, o Grande. Numa de suas naves, está o altar-túmulo de São Estanslau de Kazimierz ( 1433 - 1489 ), considerado milagroso.


Um dos acessos à Basílica de Corpus Christi

São Estanislau de Kazimierz foi pregador, abade e confessor no Mosteiro dos Cônegos Regulares Lateranenses. Na Igreja de Corpus Christi, ela fazia sermões que o tornaram famoso pela sua fé e pela sua forma convincente de pregar. Seu últmo pedido foi para ser enterrado no chão dessa igreja. O túmulo dele tornou-se lugar de culto e peregrinação.


Detalhe da Sinagoga de Isaac

Parte importante do Conjunto Judaico no bairro de Kazimierz são as Sinagogas, entre elas, a Sinagoga Antiga, construída no século XV por judes tchecos, destruída pelos nazistas na Segunda Guerra, hoje transformada em um Museu de Cultura Judaica; a Sinagoga e Cemitério Remu, construída no século XVI e ainda usada como templo; a Sinagoga de Isaac, um belo edifício barroco, construído no século XVII, reconstruído nos anos 80. Visita aconselhada.



Detalhe da Catedral

Impossível visitar Cracóvia sem pensar na religiosidade do povo polonês. Todos os caminhos nos remetem a eventos religiosos, sejam os Caminhos ( assim designados ) de João Paulo II, o Caminho Cracoviense dos Santos, o Caminho da Santa Irmã Faustina.


Beleza das cores em diferentes igrejas.


Prometo que, ao retornar ao Brasil, num dia de paciência, procurarei, entre milhares de fotos, algumas muito especiais, que estão relacionadas ao tema superficialmente abordado agora. A Catedral de Sal  - na mina de sal de Wieliczka - e a devoção a Virgem de Czçstochowa serão temas de postagens posteriores - com fotos de Adriana Fuganti Wagner. 

Catedral de Sal - foto by Adriana Fuganti Wagner